Política

Números não bastam: segurança precisa ser sentida no dia a dia de cada cearense

Números não bastam: segurança precisa ser sentida no dia a dia de cada cearense

Em propaganda eleitoral, o governador e candidato à reeleição Elmano de Freitas afirma ter aumentado o efetivo policial, reforçado viaturas e armamentos, ampliado a inteligência e fortalecido as forças de segurança. Os números mais recentes confirmam uma melhora importante: o Ceará registrou cerca de 850 mortes violentas no primeiro semestre de 2026, redução de 40,8% em relação ao mesmo período de 2025.

O resultado merece ser reconhecido, mas não apaga a realidade encontrada nas ruas. O Ceará terminou 2025 entre os estados mais violentos do país, enquanto facções criminosas ampliaram o controle sobre comunidades, expulsaram famílias de suas casas e impuseram regras a moradores e comerciantes. Assaltos, ameaças e disputas territoriais continuam alimentando o medo, sobretudo nas periferias de Fortaleza e da Região Metropolitana.

Há, portanto, uma distância entre a estatística apresentada pelo governo e a sensação cotidiana da população. Para quem evita sair à noite, muda o trajeto por medo ou vive em uma área dominada pelo crime, uma redução percentual não significa necessariamente tranquilidade. Também é preciso considerar a subnotificação: muitos delitos patrimoniais e ameaças sequer chegam ao conhecimento das autoridades.

Elmano pode apresentar avanços concretos, mas o eleitor avaliará se eles chegaram à sua rua. Segurança pública não se resume a viaturas compradas, policiais contratados ou índices comparados. Ela precisa ser percebida na liberdade de circular, trabalhar e voltar para casa sem medo. Os números importam, mas só estarão completos quando a melhora também for sentida no dia a dia de cada cearense.

Fontes: estatísticas oficiais da SSPDS, dados do primeiro semestre de 2026 e reportagem sobre o avanço das facções no Ceará.