Economia

IBC-Br recua 0,74% em maio e acende alerta para PIB; tarifas dos EUA podem aprofundar crise

IBC-Br recua 0,74% em maio e acende alerta para PIB; tarifas dos EUA podem aprofundar crise

A atividade econômica brasileira sofreu uma queda de 0,74% em maio, segundo dados divulgados nesta segunda-feira (14) pelo Banco Central. O índice, medido pelo IBC-Br (Índice de Atividade Econômica), é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e aponta para uma possível desaceleração mais intensa da economia no segundo trimestre de 2025. Com o resultado, o indicador caiu para 108,9 pontos na série dessazonalizada, interrompendo uma sequência de recordes registrada nos últimos meses.

A retração em maio se contrapõe ao desempenho positivo do primeiro trimestre, quando o PIB oficial cresceu 1,4% e o IBC-Br registrou alta de 1,3%. O recuo agora coloca em dúvida a sustentabilidade do crescimento brasileiro e levanta preocupações adicionais para os próximos meses.

O cenário se agrava com a ameaça de tarifas comerciais por parte dos Estados Unidos. A partir de 1º de agosto, o ex-presidente Donald Trump, em nova investida protecionista, pode impor sobretaxas de até 50% sobre produtos brasileiros, caso avance em sua ofensiva econômica contra países emergentes. Os setores mais afetados seriam o agronegócio, responsável por grande parte das exportações ao mercado americano,  e a indústria de transformação, incluindo carne, café, aço, aviões e suco de laranja.

Analistas alertam que, se implementadas, as tarifas terão impacto direto sobre as exportações brasileiras, podendo gerar efeitos em cadeia como desvalorização cambial, pressão inflacionária e queda na confiança do setor produtivo. Isso ampliaria o risco de retração econômica no terceiro trimestre e tornaria ainda mais distante a meta de crescimento do PIB acima de 1% para 2025.

O governo brasileiro já mobiliza canais diplomáticos para tentar evitar a medida, mas o tempo é curto e o impacto já começa a ser precificado pelo mercado. Caso a taxação se confirme, o Brasil pode enfrentar um novo ciclo de estagnação, com riscos reais de recessão técnica ainda neste ano.