Economia

Se Lula não agir, tarifa de Trump pode ameaçar 125 mil empregos no Ceará

Se Lula não agir, tarifa de Trump pode ameaçar 125 mil empregos no Ceará

A iminente tarifa de 50% que os Estados Unidos pretendem impor sobre produtos brasileiros a partir de 1º de agosto pode atingir em cheio a economia do Ceará, colocando em risco direto mais de 125 mil postos de trabalho. O impacto será mais sentido nos setores da siderurgia, calçadista e de pescados, todos fortemente dependentes das exportações para o mercado norte-americano.

No topo da lista está a siderurgia, cujas operações são concentradas no Complexo do Pecém. O setor lidera as exportações cearenses para os EUA, com mais de R$ 1,3 bilhão vendidos apenas no primeiro semestre de 2025, e gera cerca de 25 mil empregos diretos no estado. Estima-se que até 10% desses postos podem ser afetados já nos primeiros meses da nova política tarifária.

O setor calçadista, responsável por 69 mil empregos diretos no Ceará e por 30% da produção nacional de calçados, também está na linha de fogo. Os Estados Unidos são o principal destino internacional dos calçados cearenses, que somaram R$ 100 milhões em exportações no primeiro semestre. Com o tarifaço, a tendência é de retração nas vendas e congelamento de contratações.

Na cadeia da pesca e frutos do mar, a situação é ainda mais delicada. Com polos em cidades como Fortaleza, Icapuí, Aracati, Acaraú e Camocim, o setor emprega diretamente cerca de 20 mil pessoas e outras 11,5 mil de forma indireta. Operando com margens de lucro reduzidas, as empresas afirmam não ter condições de absorver um aumento tão brusco nos custos.

O Ceará é hoje o estado nordestino que mais exporta para os Estados Unidos, representando 52,2% do total da região, o que equivale a aproximadamente R$ 3 bilhões em produtos comercializados no primeiro semestre deste ano.

Diante do cenário, empresários e lideranças setoriais têm pressionado por uma ação diplomática firme do governo Lula para evitar a implementação da medida. Além disso, defendem a urgente busca por novos mercados internacionais, ampliação de linhas de crédito e apoio emergencial aos setores mais vulneráveis, na tentativa de evitar um colapso econômico com reflexos profundos no mercado de trabalho cearense.