Economia

Excesso de energia e subsídios desordenados criam crise no setor elétrico brasileiro

Excesso de energia e subsídios desordenados criam crise no setor elétrico brasileiro

O setor elétrico brasileiro enfrenta uma crise silenciosa. A expansão acelerada da capacidade de geração, especialmente de fontes renováveis como solar e eólica, superou de forma significativa o crescimento do consumo, gerando um cenário de excesso de oferta e desperdício. A análise é do ex-diretor da Aneel, Edvaldo Santana, que afirma que “a bolha elétrica explodiu”.

Atualmente, o Brasil possui uma capacidade instalada de cerca de 180 GW, enquanto o consumo médio diário gira em torno de 70 GW. A disparidade se agravou com a expansão de usinas renováveis centralizadas e, sobretudo, com o crescimento da geração distribuída, como os painéis solares em telhados. Em 2023, a demanda aumentou 7 GW, mas a capacidade cresceu mais que o dobro disso, com 15 GW adicionais.

Esse descompasso tem custado caro aos consumidores. Segundo Santana, os subsídios para novos empreendimentos e para a geração distribuída têm sido financiados por toda a sociedade, inclusive por consumidores que não se beneficiam diretamente dos sistemas de geração próprios. Apenas em 2024, os subsídios ultrapassaram R$ 20 bilhões e devem dobrar até o fim de 2025. “Estamos diante de um Robin Hood às avessas”, alerta o especialista.

Além do impacto financeiro, o excesso de energia tem levado ao desligamento de usinas renováveis — prática conhecida como curtailment — para evitar sobrecarga no sistema, o que representa desperdício de investimentos e desestímulo ao setor. Santana afirma que multinacionais já começaram a rever projetos no Brasil, diante da insegurança regulatória e econômica.

Para o especialista, é urgente repensar a política de incentivos, ajustar os mecanismos de expansão da geração e considerar alternativas como armazenamento em baterias. Caso contrário, o país corre o risco de transformar um avanço tecnológico e ambiental em uma crise tarifária e regulatória.