A disputa entre facções criminosas no Ceará se intensificou nesta semana. Horas após o Comando Vermelho (CV) comemorar com fogos a conquista de territórios estratégicos, a facção Guardiões do Estado (GDE) anunciou uma aliança com o Terceiro Comando Puro (TCP), passando a se identificar como TCP CE.
Desde então, pichações com frases como “TCP Nova Geração” e “TCP Nova Gestão” apareceram em bairros da periferia de Fortaleza. Além disso, vídeos nas redes sociais mostraram homens encapuzados e armados afirmando que o Ceará agora pertence ao TCP e ameaçando o CV com novos ataques.
O secretário da Segurança Pública, Roberto Sá, afirmou que as facções seguem ordens de líderes escondidos no Rio de Janeiro. Segundo ele, o fenômeno é nacional e não apenas local. “Esse movimento das facções criminosas eleva a violência, porque eles tentam dominar regiões eliminando uns aos outros”, disse.
As autoridades registraram 95 prisões entre segunda (15) e terça-feira (16), de suspeitos envolvidos em fogos, “salves” e ações de apologia ao crime. De janeiro a agosto deste ano, 1.418 pessoas ligadas a facções foram capturadas no Ceará, um aumento de 61,5% em relação ao ano passado.
O sociólogo Luiz Fábio Paiva, da Universidade Federal do Ceará, explica que o Comando Vermelho atua como uma “marca” nacional, com forte presença local e conexões em outros estados. Segundo ele, os recentes movimentos de aliança e rearranjo entre grupos demonstram a fragmentação e a expansão da disputa pelo tráfico no Estado.
