O Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs) voltou a enfrentar um grave processo de esvaziamento. Um bloqueio orçamentário de cerca de R$ 150 milhões, determinado pelo governo federal no fim de maio, gerou forte apreensão entre servidores e ameaça diretamente a manutenção e a segurança dos açudes sob responsabilidade do órgão, especialmente no Ceará.
A medida já teve efeitos práticos: 65 dos 84 açudes monitorados no estado ficaram sem vigilância após a demissão dos vigilantes terceirizados. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores do Serviço Público Federal no Ceará (Sintsef-CE), também foram cortados trabalhadores do setor de manutenção, prejudicando a conservação de estruturas essenciais para o abastecimento de água e controle de cheias no semiárido.
“Estamos assistindo a um desmonte silencioso. É como voltar no tempo. O Dnocs, que já teve 14 mil servidores, conta hoje com pouco mais de 400 em todo o país. Isso compromete o funcionamento de uma autarquia estratégica para o Nordeste”, denuncia o sindicato.
A crise, no entanto, ainda não sensibilizou a bancada federal cearense. Até o momento, nenhum parlamentar se manifestou publicamente sobre o bloqueio. A única sinalização veio do deputado estadual Acrísio Sena (PT), que propôs uma audiência pública para debater a situação da instituição.
Procurado pela imprensa, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional afirmou que se trata apenas de um bloqueio temporário, e não de um corte definitivo, e que os recursos podem ser liberados ao longo do ano conforme a disponibilidade orçamentária. O Dnocs, por sua vez, ainda não se pronunciou oficialmente.
Diante do cenário, o Sintsef-CE cobra a liberação imediata dos recursos, a recontratação dos terceirizados dispensados e a realização de concurso público para recompor o quadro de servidores efetivos. Segundo a entidade, o bloqueio compromete não apenas o funcionamento do Dnocs, mas a segurança hídrica de milhões de nordestinos.
