O Ceará figura entre os estados brasileiros que mais destinam recursos para as forças de segurança, segundo a pesquisa nacional O Funil de Investimentos da Segurança Pública e do Sistema Prisional, realizada pelo centro de estudos Justa. Somente no último ano, foram aplicados cerca de R$ 3,7 bilhões com a Polícia Militar, Polícia Civil e Polícia Científica (Pefoce).
Entre as unidades do Nordeste que enviaram dados, o Ceará aparece como o segundo que mais investiu em polícias e o primeiro em gastos com o Sistema Prisional. Ao todo, 24 das 27 unidades federativas participaram do levantamento, que considerou informações do PPA, LDO, LOA e Balanço Geral dos estados.
O Governo do Ceará afirma que continua fortalecendo ações ostensivas, ampliando o efetivo e adquirindo novos equipamentos para a Polícia Militar. Em 2024, mais de R$ 2,47 bilhões foram destinados ao pagamento de policiais militares e R$ 77,8 milhões à compra de equipamentos e expansão de batalhões. Já em 2025, até novembro, os investimentos somaram mais de R$ 2,36 bilhões para pessoal e R$ 51,7 milhões para viaturas, concursos, armamentos e reformas estruturais.
A pesquisa do Justa, porém, destaca que cerca de 70% do orçamento de segurança é direcionado à Polícia Militar, enquanto áreas de investigação seguem com menor financiamento. Segundo especialistas, essa distribuição tende a ampliar prisões em flagrante por crimes menos complexos, ao mesmo tempo em que reduz a eficiência no combate a delitos de maior gravidade.
Apesar da redução de 7% no número de Crimes Violentos Letais Intencionais (CVLIs) entre janeiro e outubro de 2025, o estado registrou em outubro o mês mais violento do ano, com 284 homicídios. No acumulado do ano, são 2.523 CVLIs, frente a 2.713 no mesmo período do ano anterior.
No Sistema Prisional, o Ceará investiu R$ 772 milhões em 2024, posicionando-se entre os estados que mais aplicam recursos na área. A Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização (SAP) destaca que o estado mantém forte política de valorização dos policiais penais e ações de humanização, educação e capacitação para pessoas privadas de liberdade, com investimentos que ultrapassaram R$ 878 milhões no último ano.
