O governo federal está defendendo uma interrupção nas invasões a propriedades privadas pelo MST após o fim do chamado “Abril Vermelho”. Segundo assessores presidenciais, a continuidade das invasões pode fortalecer a CPI do MST, cujo requerimento de criação foi lido no plenário da Câmara dos Deputados.
De acordo com dois ministros do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem se incomodado com as ofensivas recentes do MST. A avaliação no Palácio do Planalto é de que elas têm alimentado o discurso da oposição e impedido uma reaproximação com o segmento do agronegócio.
O governo compreende a necessidade do movimento de chamar a atenção para a necessidade de uma reforma agrária ampla no país, mas acredita que a continuidade das invasões a partir de maio pode passar a impressão de que o governo perdeu o controle sobre o assunto.
Além disso, empresários do agronegócio têm reclamado da possibilidade de sentarem na mesma mesa que representantes do MST no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, cuja primeira reunião será na próxima quinta-feira (4).
Recentemente, o ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, comparou a invasão a propriedades privadas pelo MST ao ocorrido em 08 de janeiro, quando militantes bolsonaristas ingressaram e destruíram as sedes dos poderes. A declaração foi feita em uma tentativa de reforçar uma oposição ao movimento social.
Diante desse cenário, o governo federal tem defendido uma interrupção nas invasões do MST como forma de evitar a criação de uma narrativa negativa em relação à gestão Lula. A avaliação é que o movimento social tem o direito de protestar e chamar a atenção para a questão da reforma agrária, mas o momento atual exige uma cautela maior.
Com informações: CNN
