De acordo com dados fornecidos pelas prefeituras à Secretaria do Tesouro Nacional (STN), surpreendentes 61% delas encerraram os primeiros seis meses deste ano com suas contas no vermelho.
Uma drástica piora em relação ao mesmo período de 2022, quando apenas 11% apresentavam tal situação deficitária. A Confederação Nacional de Municípios (CNM) aponta que a redução nos repasses federais, causada pelo atraso no pagamento de emendas parlamentares, está na raiz desse colapso financeiro.
A queda dos repasses federais não é a única explicação para o quadro preocupante. A CNM também destaca a expansão generalizada dos gastos públicos, particularmente das despesas de custeio, como um fator significativo para o déficit que afeta os municípios cearenses. Diante dessa conjuntura delicada, a Associação dos Municípios do Ceará (Aprece) organizou a greve de prefeitos com o lema "Sem FPM (Fundo de Participação dos Municípios) não dá". A mobilização, que ocorre na Assembleia Legislativa do Ceará (Alece), conta também com o apoio de outras entidades municipalistas do Nordeste.
A paralisação, embora não afete os serviços essenciais prestados pelas prefeituras, tem um objetivo claro: chamar a atenção do Governo Federal e do Congresso para a gravidade da situação dos municípios cearenses, que se encontram em uma condição insustentável, à beira do colapso. A Aprece, em uma nota pública divulgada na última semana, expressou sua preocupação com a atual crise financeira e busca pressionar as esferas governamentais a encontrar soluções que assegurem a estabilidade financeira das prefeituras e, por consequência, a qualidade dos serviços prestados à população local.
