Em entrevista à CNN Brasil, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, revelou que o ex-presidente Lula assumirá o papel de "controlador" da política de preços e investimentos da Petrobras.
"O presidente já falou um milhão de vezes que, tanto em relação à política de preços da Petrobras quanto em relação à política de investimentos da Petrobras, sendo uma empresa estratégica, ele vai atuar como o controlador para que a Petrobras, por exemplo, invista mais em transformação ecológica. É um direito do controlador fomentar a Petrobras nessa direção. O petróleo, se não vai terminar, vai ser cada vez menos usado", afirmou o ministro em uma entrevista bombástica à emissora.
No entanto, os termos utilizados pelo ministro são questionáveis. O que exatamente significa "controlador" nesse contexto? Seria uma intervenção disfarçada?
A controvérsia não para por aí. O presidente da estatal, Jean Paul Prates, também entrou na discussão, admitindo a influência de Lula na Petrobras, mas preferindo chamá-la de "orientação".
"O mercado ficou nervoso esperando dividendos sobre cuja decisão foi meramente de adiamento e reserva. Falar em 'intervenção na Petrobras' é querer criar dissidências, especulação e desinformação", comentou Prates em seu perfil na rede social X, numa tentativa clara de amenizar o impacto das declarações de Haddad.
A situação levanta questionamentos sobre o real controle da Petrobras e se estamos diante de uma interferência política disfarçada de orientação estratégica.
O resultado dessa "orientação" não foi positivo para a estatal, com o balanço financeiro referente ao quarto trimestre de 2023 ficando 14% abaixo das previsões dos analistas, mostrando que as mudanças na direção estratégica podem estar gerando turbulências nos resultados financeiros da empresa.
