Economia

Com dificuldades financeiras, prefeitos articulam com Lula desoneração da folha salarial

Com dificuldades financeiras, prefeitos articulam com Lula desoneração da folha salarial

Os prefeitos das cidades brasileiras com até 142 mil e 600 habitantes mantêm intensas articulações políticas na esperança de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancione a lei que garante a redução da alíquota do INSS sobre a folha salarial dos servidores municipais.

Diante das restrições apresentadas por técnicos da área econômica do Governo, que se opõem à renúncia de receita para a Previdência Social, os gestores não escondem a preocupação. No entanto, a estimativa das lideranças municipalistas indica que o INSS poderá deixar de receber, a cada ano, R$ 11 bilhões caso seja reduzida a alíquota previdenciária dos atuais 20% para 8% sobre a folha salarial dos municípios.

Das 184 cidades do Ceará, apenas cinco – Fortaleza, Caucaia, Juazeiro do Norte, Sobral e Maracanaú – não serão alcançadas pela lei da desoneração salarial.

Os prefeitos consideram essa medida essencial para o equilíbrio das contas das administrações municipais. O repórter Sátiro Sales, ao participar do Jornal Alerta Geral, destacou o movimento dos prefeitos e a expectativa sobre a decisão do presidente Lula.

A Confederação Nacional de Municípios (CNM) enviou, nessa terça-feira (31), um ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fazendo apelo para que seja sancionado o artigo 4º do Projeto de Lei 334/2023 que trata da distribuição sobre a contribuição patronal para o INSS.

O presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, ponderou no documento que o corte populacional aprovado pelo Congresso Nacional é efetivo em concentrar o benefício aos municípios com maior dificuldade fiscal.

Apesar das divergências nos dados populacionais, o texto final da lei aprovado pelo Senado define que o benefício será garantido aos municípios com até 142.632 habitantes. Entretanto, no documento enviado à Presidência da República, a CNM afirma que esse corte populacional se refere às cidades com até 156.216 habitantes.

Com base nos números da CNM, 51% dos municípios com população de até 156.216 habitantes concluíram o primeiro semestre de 2023 com déficit primário, enquanto no grupo acima desta faixa populacional, 26% apresentaram déficit. Segundo a CNM, a sanção da lei pode auxiliar os municípios a diminuírem as dívidas com o INSS, que atualmente chegam a R$ 200 bilhões em todo o Brasil.

A lei atual que trata sobre desoneração tem validade até 31 de dezembro de 2023 e, pelo projeto aprovado, o benefício será estendido até 31 de dezembro de 2027. Empresas de 17 setores da economia, que geram 9 milhões de empregos, serão contempladas com a lei, a qual depende da sanção presidencial para entrar em vigor.